Operadora de planos de saúde com sede em Santo André passa por uma crise financeira; pelo menos 200 funcionários já foram demitidos
A crise da operadora de planos de saúde Medical Health - com sede em Santo André - colocou em alerta os mais de oito mil usuários, que temem uma possível interrupção dos serviços no Grande ABC. A preocupação existe, pois alguns pacientes já relatam que ainda aguardam liberação de exames e cirurgias. Para especialistas em Direito Médico, a possibilidade das pessoas ficarem sem atendimento é remota porque outra empresa pode assumir essa carteira de clientes em caso de dificuldade financeira, mediante intervenção da ANS (Agência Nacional de Saúde Suplementar).
Exemplo desse temor é o caso de um professor, que espera desde março a liberação de uma cirurgia para a retirada de vesícula. Ele relatou que já passou por uma consulta na unidade da Medical Health na Rua Siqueira Campos, em Santo André. "Cada hora é uma desculpa, não tem atendimento, não tem mais hospital na região, e o pior é que ninguém mais atende”, contou o professor, que pediu anonimato. Ele já fez uma reclamação no Procon.
Em entrevista ao Diário, a advogada da Medical Health, Ana Lia Rodrigues de Souza, a empresa tem feito a normalização de pagamento dos prestadores de serviço. Além disso, a operadora busca outros parceiros para manter os serviços. “Pagamos os débitos e vamos honrar com as nossas obrigações”, reforçou. Ao Diário, a advogada justificou que a crise ocorre em razão da perda de contratos com as prefeituras de São Caetano e Mauá.
O advogado José Santana Júnior, especializado em Direito Médico e sócio do escritório Mariano Santana, orientou os usuários prejudicados a fazer a denúncia na ANS como primeiro passo. “A partir daí, a agência tomará as providências. Caso a operadora não tenha condições, vai definir a venda ou o leilão da carteira de clientes para uma outra empresa. A portabilidade assim acontece, sem carência para os usuários dos planos de saúde.”

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